Encontro Nacional

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Autogenia – Resumo IV

Para ser didático, você está lendo o quarto resumo sobre autogenia. Até o momento já foram definidas as autogenias, tanto tópico quanto Submodo. Além disso, também foram apresentados os modos pelos quais o filósofo define o patamar autogênico da pessoa. Outro assunto que foi abordado, mas de forma indireta, é o fato de que muitos assuntos que são trabalhados em clínica não são de cunho autogênico. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que Autogenia, enquanto Submodo, é recomendado apenas em alguns casos e não em todos os casos clínicos. Por isso, uma recomendação séria, é que o filósofo observe se há a necessidade de qualquer interferência desta natureza.
Ao longo das aulas, pela maneira como a Autogenia foi apresentada, fica a impressão de que a mudança de patamar é boa e até mesmo recomendada. Principalmente pela dificuldade linguista em se caracterizar o que seria modificação autogência, geralmente apresentando movimentos menos mecânicos como bons e mais mecânicos como ruins. No entanto, cada pessoa tem um patamar que lhe é adequado, não bom e nem ruim, mas adequado à sua Estrutura de Pensamento. Em alguns casos, fora trabalho clínico, é possível que algumas pessoas mudem de patamar para melhorar qualitativamente sua existência. Sim, é possível, mas mesmo este movimento de chamada “melhora” será de acordo com a própria estrutura e não de acordo com a vontade da pessoa. Nem sempre movimentos volitivos são saudáveis, usando um jargão: “Cuidado com o que desejas”. Por isso são recomendadas intervenções via Autogenia somente de acordo com a necessidade do trabalho clínico.
Outro fator que pode causar alguma confusão no estudo das autogenias é o Exame das Categorias. Ao estudar as autogenias, o filósofo aprende nos Cadernos de Filosofia Clínica, assim como com os autores que escreveram sobre o assunto, como Nunes; Pedrosa (2000), que Autogenia “é o que dará ao clínico, em interseção, a oportunidade de entender o relacionamento funcional do que ocorre à EP da pessoa”. Fica claro que o que o filósofo estuda no que diz respeito à Autogenia é o funcionamento interno dos conteúdos agendados ao longo da vida. Então, de que servem os Exames das Categorias? As categorias: Assunto, Circunstâncias, Tempo, Lugar e Relação são guias históricos, um Plano Cartesiano Existencial no qual a pessoa se localiza diante de tudo o que já viveu. As circunstâncias, o tempo, o lugar, a relação e os assuntos mostram ao longo de sua história de onde ela saiu e para onde se direciona. É possível perceber que ao mesmo tempo em que o Exame das Categorias não tem interferência na elaboração autogênica é ele quem diz onde a pessoa está e o quanto se movimentou ao longo de sua história.
Seguindo ainda com questões pontuais, outro tema que algumas vezes gera confusão é a intencionalidade. De acordo com as aulas, o que faz com que algo seja este algo uma ideia, uma sensação, um conceito, enfim, qualquer elemento, será tanto ou mais vizinho quanto tiver intencionalidade sobre ele. Isso causa confusão porque algumas pessoas entendem que nem tudo o que é vizinho foi escolhido intencionalmente, pois acidentes, infortúnios acontecem e é possível que tenha como vizinho um pneu furado, um aumento na conta de telefone, uma discussão com a esposa, enfim, vizinhos que não são escolhidos, mas que se apresentam por si só. Pode sim acontecer coisas ao longo da vida sobre as quais não se tem controle, mas a atenção que se dedica sobre estas coisas sim. Ou seja, pode sim um pneu furar, mas quanto de intencionalidade será dedicada a isso é por conta de cada um. Mas o exemplo é com um pneu furado, existem cosias mais sérias e estas não se têm como controlar a intencionalidade, isso é o que dirão algumas pessoas. É até possível concordar, assim como também se pode concordar que ao longo da vida a intencionalidade não foi educada a focar de acordo com a “vontade”, mas deixada por conta própria. Por isso, um aluno se coloca diante de um livro para estudar e sua intencionalidade está na menina que conheceu pela manhã nos corredores da escola. Ela, naquele momento, é muito mais vizinha dele do que o livro e tudo o que precisa estudar.
Outro elemento que está profundamente ligado às autogenias, mas usualmente esquecido, é o fato de que vizinhos de naturezas diferentes (patamares diferentes) podem até entrar em contato, mas não compõem entre si. Um exemplo simples são a água e o óleo, são vizinhos de naturezas diferentes, tanto são que podem até entrar em contato, mas não conseguem se misturar, ou seja, compor. Amor e ódio, por exemplo, são vizinhos de mesma natureza, eles não só entram em contato como compõem entre si. É por isso que é possível amar e odiar a um só tempo. Ao observar os vizinhos, uma pessoa pode apontar vizinhos diferentes, mas provavelmente não conseguirá apontar vizinhos de naturezas diferentes que compõem entre si. Existem casos em que a pessoa segmenta sua vida e nestes casos consegue ter vizinhos de naturezas diferentes, mas os vizinhos de uma parte de sua vida não entram em contato com os vizinhos da outra.
Para findar questões pontuais a respeito das autogenias, um tema fundamental é a base autogênica. Quando se fala em identificação de patamar autogênico, o filósofo está identificando a base a partir da qual irá trabalhar, perceberá os movimentos que foram feitos pela estrutura ao longo da sua história a partir do exame das categorias. A base sobre a qual a Estrutura de Pensamento se apoia é a base autogênica. Esta base pode ser formada por diversos elementos que serão observados na historicidade da pessoa. Principalmente nos elementos ligados ao tópico ou tópicos com força autogênica. Em muitos casos uma pessoa quer fazer movimentos autogênicos, mas não tem o horizonte de sua base atual e a base que lhe seria adequada pela conformação de sua estrutura. Sem clareza de sua base autogênica qualquer movimento pode ser problemático, pois menor ou maior mecanicidade ou movimento horizontal da estrutura devem ser vistos a partir da base atual e dos movimentos que a EP já fez. Desta forma, sempre, absolutamente sempre, é preciso ter clareza da base e somente depois disso recomendar qualquer tipo de movimento autogênico.

Rosemiro A. Sefstrom

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Pelo segundo ano consecutivo a Tiscoski Distribuidora figura entre as premiadas a nível estadual pelas boas práticas em RH. O projeto premiado foi: Filosofia Clínica: Uma organização no divã

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Autogenia – Resumo III

Este texto é a continuação do resumo anterior, onde foram apresentados de maneira resumida e objetiva os conceitos de Autogenia e os modos de identificação via linguagem e vizinhança. Neste resumo veremos a identificação de patamar via mecanicidade, a resolução do caso do profissional que se casou e se tornou pai e também que nem toda questão existencial é necessariamente autogênica.
Apenas para lembrar, seguindo o mesmo exemplo do resumo II, nosso guia como é o caso de uma pessoa que ao longo de sua vida teve como direcionamento existencial a Busca (Tópico 11). Apenas como ilustração este tópico é o determinante para ele, fazendo com que até mesmo o casamento tenha sido uma maneira de ascender profissionalmente. No entanto, após um ano de casado nasceu o primeiro filho e junto com ele veio a proposta de promoção e mudança de cidade. Até o momento, apenas o tópico determinante (Busca) dava as ordens, mas com o nascimento do filho, a Interseção de EPs (Tópico 28) se mostra importante a ponto de confrontar sua Busca. Fica então evidente o choque entre os tópicos 11 e 28. No resumo anterior vimos como a pessoa se orientará para solucionar a questão de acordo com o patamar autogênico que vive. Neste resumo mostraremos como se dá o desenvolvimento de acordo com o patamar por mecanicidade.

03 - Identificação de patamar via mecanicidade

A identificação do patamar autogênico por mecanicidade é bastante simples, basta perceber a maneira como a pessoa conduz sua problemática na direção do Desfecho. Há na estrutura de pensamento tópicos específicos que são pela constituição mecânicos, um dos quais a Razão (Tópico 10). Sendo um tanto simplista pode-se dizer que uma pessoa será tanto mais mecânica quanto mais racional for na resolução do problema em questão. Outro tópico que indica mecanicidade no desenrolar das situações é Comportamento & Função (Tópico 13). Assim como no caso da razão para comportamento e função também, quanto mais baseada neste tópico a solução for, mas mecânica será. Existem ainda outros tópicos com relativa mecanicidade, mas estes dois já servem como exemplo.
No entanto é possível que uma pessoa não seja mecânica como tópico especificamente, mas como estrutura. Algumas estruturas, quando você observa uma parte dela, parece pouco mecânica, parece intuitiva, mas isso é apenas ilusão, ao olhar a estrutura como um todo a mecanicidade fica evidente. Pela palavra intuitiva é possível perceber que falo em sites e aplicativos, algumas estruturas são assim. Intuitivas nas partes, mas mecânicas no todo. É justamente por isso que dizer que uma estrutura é mecânica somente pelo uso da razão é bobagem, pois a razão é um dos indicadores da estrutura e não a estrutura como um todo.
Um parágrafo contradiz o outro? Não. A condução da solução de acordo com princípios racionais ou de comportamento e função não deixou de ser mecânica. O que muda do primeiro para o segundo parágrafo é a consideração da estrutura como um todo, se a solução vier de tópicos específicos pode dizer de sua mecanicidade pela base de onde ela vem. Agora, se a solução vier da estrutura, se os dados que encaminham a solução vierem do todo que é a Estrutura de Pensamento, é necessário considerar a mecanicidade da estrutura. Como o que nos interessa é a consideração a partir da Estrutura e não dos Tópicos, a mecanicidade depende exclusivamente da Estrutura.
Uma pessoa mais mecânica, ou seja, abaixo dos patamares de nossa época, setembro de 2015, na condução de uma solução, pensará em todos os passos necessários e o quanto de esforço é necessário para que tudo aconteça. Pensa no quanto de desgaste, na força, nos perigos, na logística, nos possíveis problemas que pode ter para que tudo dê certo. Em boa parte dos casos o cenário mostra que a força necessária para fazer tudo o que precisa ser feito torna o que tem que ser feito pouco interessante. Eu já ouvi em alguns casos: “Aí o molho sai mais caro que a carne”. É uma frase interessante, que mostra que tudo o que precisa ser feito torna o prato principal desinteressante. Geralmente são expressões que mostram falta de entendimento dos motivos de acontecer justamente naquele momento, pensando até ser azar. No caso de nosso exemplo, o profissional agora pai, a partir da proposta começará a arquitetar as possíveis soluções que tem e o que precisa ser feito para que cada uma delas dê certo. Ele pensa em como será se mudar com o filho para outra cidade e o que pode fazer para não afastar o filho dos avós. Pensa no custo que terá para manter isso, mas ao mesmo tempo que o custo vale a pena pela criança. Ele construirá esquemas resolutivos diversos contendo os prós e contra da proposta até chegar a uma conclusão. No entanto, os esquemas que elaborará serão de tal forma complexos e difíceis que se mostrarão demasiados pesados pelo retorno que darão. Por mais que pense em todos os meios para solucionar seu dilema, tem ainda a ideia consigo de que é conspiração do destino para que não consiga o que quer, azar, “coisa feita”.
Uma pessoa de nossa época, setembro de 2015, quando tiver um problema usualmente procurará entender como foi que ele ocorreu e a partir das prerrogativas do próprio problema tentará resolvê-lo. Um bom exemplo é o de pessoas que se atrapalham financeiramente e entendem que revendo seu orçamento, trabalhando mais, gastando menos irão resolver o seu problema, e de fato irão. Outro bom exemplo é do relacionamento que está ruim, cada um vê onde está errando e procura melhorar para que assim o relacionamento como um todo melhore. Pode-se dizer que entender as causas e a lógica do problema dê às pessoas a capacidade de resolvê-los. O nosso quase íntimo pai de família procurará ver como foi que surgiu a situação, verá o que tem que ser feito para resolver o seu problema, procurará na própria situação que vive a solução para ela. Pode-se dizer que, em nossa época, boa parte da mecanicidade está atrelada ao fato de que este pai buscará em sua situação a solução para ela.
Uma pessoa menos mecânica que os patamares de nossa época, quando tiver um problema, considerará o problema como algo que vai além do que vive no momento que está inserida e a partir de si própria enquanto história de vida. Assim pode ser considerado Gandhi, que ao liderar seu povo contra a Inglaterra fez algo simples, recomendou aos indianos voltarem a ser indianos. Como Jesus Cristo que ao ser perguntado sobre a moeda responde com simplicidade, mesmo a resposta parecendo um tanto mecânica ela não é resolvida a partir do problema, mas vai além dele. O caso de nosso personagem, o profissional que se tornou pai, ao ser menos mecânico ele começa a considerar sua vida como um todo e não apenas o momento que vive. Ao considerar a família, o filho, os avós, sua carreira e colocar a si mesmo enquanto história de vida pode fazer com que outros elementos, que até então estavam de fora, apareçam.


Solução para o caso exemplo

Independente do método utilizado para identificar o patamar autogênico é importante ter em conta se a questão a ser tratada é ou não de cunho autogênico. De acordo com a definição de Nunes; Pedrosa (2000) do Submodo Autogenia é “a organização orientada da EP, feita pelo filósofo clínico, via interseção, para que dê à pessoa um rumo mais recomendável”. Considerando a definição de Nunes; Pedrosa, para que uma questão possa ser considerada autogênica precisa ter como assunto último um trabalho que se dedique à organização ou reorganização da Estrutura de Pensamento da pessoa.
O caso que foi utilizado como exemplo que mostrou o choque entre a Razão (Tópico 10) e Interseção de EPs (Tópico 28) não tem como ser considerado um assunto de cunho autogênico. A questão, do modo como foi estruturada, apresenta um choque pontual entre dois tópicos e num acompanhamento filosófico clínico demandará encaminhamentos pontuais. Alguns, os mais dramáticos, perguntarão: “Mas isso não pode gerar um questão autogênica?” A resposta é simples: “Pode”. Mas aí teríamos uma condição diferenciada onde o choque entre dois tópicos produz efeitos capazes de tracionar toda a estrutura, o que é plenamente possível. Lembrando que para isso são necessárias condições ímpares, o que usualmente não acontece.
Como o problema de nosso profissional que se tornou pai não é autogênico, ele deverá ser resolvido no patamar que se encontrar. Se no caso ele se encontrar num patamar mais baixo que o patamar de nossa época, onde há amarrações linguísticas que indicam falta de saída, vizinhanças pesadas que mostram um caminho de difícil solução e mecanicidade que aponta o azar, falta de sorte e que será necessário muito esforço para que dê certo, é possível que ele opte por não aceitar a promoção. Ele pode ter utilizado como Submodo Esquema Resolutivo (Sub. 05) e o fim da equação mostrar que “não vale a pena” ser promovido. Neste caso, a Interseção de EP venceu e a Busca perdeu. É possível que ele veja no filho a frustração profissional, quase como a personificação de busca interrompida.
Num patamar como o de nossos dias, o nosso personagem provavelmente utilizaria também como Submodo o Esquema Resolutivo (Sub. 05), levantaria os prós e contras da proposta e tentaria, ao máximo, compor uma solução que lhe pudesse dar as duas coisas. Ao examinar a situação, perceber a possibilidade dos avós também irem para a cidade onde seria alocado, percebe então que é possível viver sua Busca. Mesmo que as condições sejam complicadas e que exija dele certo esforço para fazer dar certo, arrumar lugar para morar, a logística de levar os avós da criança, a adaptação da mulher e a sua na nova cidade. Neste caso, dos diversos possíveis, a Busca se sobressaiu conseguindo também manter as interseções.
Já num patamar mais elevado o profissional percebe que, no contexto que vive, a promoção que lhe foi dada veio em boa hora, pois ele gosta de dirigir e a cidade que fica a 150 km de distância pode ser um bom passeio diário. Assim, a interseção é mantida e a busca também ganha vazão, a conciliação faz com que Busca e Interseção sejam mantidas tal e qual estavam. Pode ser esquisito, mas o menos mecânico tende a observar de fora da caixa e pode perceber ainda outras formas de encaminhar a situação.
Em cada uma das soluções o resultado final pode ser diferente tanto pelo tópico que é atendido, tanto pelo Submodo que é utilizado para encaminhar a situação. O exemplo é apenas uma ilustração de que um caso não autogênico deve ser resolvido no patamar que está de acordo com os submodos que a historicidade da pessoa sugere.

Rosemiro A. Sefstrom


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Aurtogenia – Resumo II

O termo faz alusão ao Tópico 30 da EP como ao submodo 27. Como Estrutura de Pensamento, informa como a pessoa está estruturada, como os tópicos estão inter-relacionados; vê se há choques, se um tópico reforça ou anula outro. Segundo Packter, Autogenia “é o que dará ao clínico, em interseção, a oportunidade de entender o relacionamento funcional do que ocorre à EP da pessoa”. A EP é constituída de dados sensoriais, abstratos, espirituais, etc. Os exames de Autogenia nos mostrarão como isso ocorre. (NUNES; PEDROSA, 2000, p. 19)

Quando o terapeuta preenche todos os tópicos da Estrutura do Pensamento, caso a pessoa tenha, com os dados de sua historicidade chega a hora de ver como se dá a relação entre estes conteúdos e a resultante destas relações. O resultados destas relações é conhecido como Autogenia. A análise autogênica pode mostrar ao filósofo elementos como: tópico determinante ou determinantes, tópicos importantes, tópico fraco ou fracos, choques entre e intra-tópicos, inadequação tópica, etc. O estudo autogênico diz ao filósofo como essa estrutura está enquanto dinâmica interna.
Quando o terapeuta finda a montagem da Estrutura de Pensamento ao analisar a Autogenia da estrutura, percebe que existe um tópico ou alguns tópicos que conseguem direcionar toda a estrutura. Estes tópicos são considerados como tópicos determinantes. Essa consideração não se deve ao fato de que o conteúdo do tópico está mais presente na historicidade ou que a pessoa dá mais evidência. O que diz se um tópico é ou não determinante à estrutura, é sua participação nos direcionamentos existenciais de toda a estrutura. Assim se, por exemplo, o Tópico 11 – Busca, for o tópico determinante é ele provavelmente quem diz para onde toda a estrutura se direcionará. Caso a pessoa tenha como busca construir uma carreira de sucesso, e essa busca for determinante, a pessoa tende a tomar suas decisões, orientar suas escolhas em prol de atender às demandas geradas pelas buscas.
Diferente do tópico determinante, temos os tópicos importantes, são tópicos que tem papel secundário na estrutura enquanto indivíduos, mas quando unidos a outros tópicos podem se tornar determinantes. Assim, se para uma pessoa que tem como busca a carreira profissional e isto lhe é determinante, os tópicos importantes como, por exemplo, Tópico 28 – Interseção de Estruturas de Pensamento, são levados em conta nas decisões a serem tomadas diante da busca. É assim que se constroem alguns choques entre tópicos, se a Busca é determinante, mas vai contra Interseção de EPs que é um tópico importante, pode acontecer que a pessoa não tenha certeza se seguir carreira seria mesmo a melhor decisão.
Para exemplificar, um pai de família que ao longo de sua vida teve a carreira como prioridade, inclusive o casamento colaborou para ascensão na carreira. No entanto, com um ano de casado nasceu o primeiro filho, agora veio a decisão da organização de que ele seria promovido, mas que teria de mudar de cidade. A carreira (tópico Busca) determinante diz que ele deve seguir seu caminho, mas o filho e a boa interseção (Tópico Interseção de EPs) que tem com ele dizem que não será uma boa por conta da proximidade com os avós que o menino tem. É assim que, em muitos casos, o profissional tem um choque interno entre Busca e Interseção de EPs.
O tópico fraco, por sua vez, é o tópico em que fica evidente que a Estrutura de Pensamento passa por dificuldades. Este tópico pode ser comparado aos sintomas de uma doença, a dor ou desconforto que não é a doença em si, mas o veículo pelo qual a doença se manifesta. Mesmo que em alguns casos os sintomas sejam a própria doença. Para exemplificar, voltando ao profissional que se tornou pai e agora passa por um choque entre os tópicos Busca e Interseção de Estrutura de Pensamento, agora o resultado deste choque é ansiedade. Este profissional teve como resultado do choque entre os tópicos uma alteração no Tópico 04 – Emoções. Assim, o tópico emoções é o tópico fraco ou predisponente, ao menos neste caso. Cada estrutura tem um ou mais tópicos onde podem se manifestar como sintomas de dificuldades que a estrutura vive.
Seguindo o estudo da Estrutura de Pensamento o terapeuta identificará o patamar autogênico da pessoa. O patamar autogênico corresponde ao modo como os tópicos se relacionam entre si e o que deles resulta como um todo de acordo com o contexto que este indivíduo está inserido. Enquanto autogenia os Exames das Categorias não tem participação direta, mas servem como parâmetro externo de indicação. Desta forma ao observar como é o mundo que cerca a pessoa de acordo com os elementos categoriais, sejam eles: assunto, circunstância, tempo, lugar e relação, são eles os parâmetros contextualizados de localização. A partir destes contextos, é possível observar que por mais singular que uma pessoa seja, autogenicamente ela pode fazer par com outros seres. Sua singularidade, de acordo com a forma como está estruturada participa de contextos específicos com outros seres que tem estruturas similares. Para exemplificar seguem dois modos básicos de identificação de patamar autogênico.

01 - Identificação de patamar via linguagem
Pessoas em patamares mais baixos demonstram, via linguagem, amarrações que mostram falta de opção diante das circunstâncias que estão. Para estas pessoas o mundo é mau, um lugar ruim, colocam-se diante da realidade como reféns, o que podem fazer é apenas seguir o caminho e rezar para que não aconteça o pior. Seguindo o mesmo exemplo do profissional que se tornou pai e tem uma proposta de mudar-se para o exterior. Se ele estiver em patamares mais baixos ele utilizará expressões como: estou num beco sem saída, não tenho como deixar a empresa na mão, estou entre a cruz e a espada, não vejo luz no fim do túnel, etc..
Pessoas em patamares comuns de nossa época, setembro de 2015, demonstram via linguagem, buscar alternativas às circunstâncias que se encontram. Assim, há o entendimento de que é a pessoa quem tem que fazer a sua parte e buscar alternativas, achar uma saída. O mesmo pai, agora em situação de patamar mais elevado utilizaria expressões como: temos que pesar os pró e contra desta proposta, temos de ver a viabilidade, perder a oportunidade pode ser igual a perder o emprego, tenho que conversar com alguém que entende minha situação, etc..
Pessoas em patamares mais elevados, demonstram linguisticamente despreocupação com os elementos circunstanciais que vivem, entendendo que o próprio movimento dos elementos encaminhará as soluções para o que se apresenta. Este pai, por fim, num patamar ainda mais elevado utilizará expressões como: veio em boa hora, deve ser obra do destino, é a realização de um sonho, sorte, etc..
No entanto, em alguns casos, a pessoa via linguagem demonstra estar em um patamar autogênico, mas está de fato em outro. Um bom exemplo para isto são pessoas que adquirem hábitos linguísticos religiosos e usam termos como: graça, providência divina, bênçãos, etc. Termos como estes denotam elevado estágio autogênico, pois indicam que a pessoa vive de maneira mais leve, toca a sua vida e deixa que as coisas se encaminhem. Mas não é bem assim que se verifica na historicidade como um todo, esta pessoa pode estar abaixo do patamar autogênico dos tempos atuais. O Deus do qual ela fala que vem a graça ou a providência é um Deus malvado, que pune quem erra, que castiga o pecador, um Deus, inclusive, com o qual ela negocia. A forma como a pessoa se relaciona com o objeto da linguagem, ou seja, a maneira como o objeto linguístico é vivido enquanto vizinho mostra que a análise linguística por si só pode ser enganosa.
O contrário também é verdadeiro, algumas pessoas tem uma linguagem que denota um mundo hostil, pesado, difícil, indicando baixos patamares autogênicos. No entanto a forma como elas lidam com as dificuldades que a vida lhes apresenta mostra que seu patamar é mais elevado. É o exemplo de quem fala das amarras da economia, das dificuldades de se livrar da pesada carga tributária brasileira, da educação pública que não tem mais jeito, da religião que virou comercio, não há saída. Esta mesma pessoa no seu dia-a-dia trabalha, paga suas contas, tem um dinheirinho guardado, participa como voluntário na escola. A linguagem denota um patamar e a análise por vizinhança demonstra um patamar diferente.

02 - Identificação via vizinhança
Outra forma de se identificar o patamar autogênico de uma estrutura de pensamento é pelas vizinhanças que ela tem. Um vizinho de uma estrutura é todo e qualquer elemento que esteja ligado à estrutura via intencionalidade. Todo elemento que está próximo da estrutura só estará se houver intencionalidade direcionada a ele. Exemplo, você sai pela sua casa e observa diversas coisas que estão ao seu redor, ao quê você prestou atenção? A todos os elementos que você descrever que percebeu são eles seus vizinhos. Os que antes você não percebeu e agora passa a prestar atenção e passa a perceber, são estes também agora seus vizinhos.
Ao direcionar então a atenção para um sentimento de amor que se tem pela esposa a pessoa torna o sentimento de amor seu vizinho. No entanto, não é assim tão simples, muitos podem alegar que os pensamentos vêm à cabeça sem qualquer controle, que não se pode controlar o pensamento. Isto acontece porque ao longo da vida a pessoa não aprendeu a controlar o pensamento e ele traz a ideia que quer, isto faz com que a pessoa tenha pouco ou nenhum controle sobre os vizinhos que vem do pensamento. Outras pessoas não educaram seus sentidos e tem poucas vivências sensoriais, pessoas assim podem tomar um bom vinho e não sentir o aroma, se quer o sabor. Por isso que para ter algo como vizinho é necessário nossa atenção sobre ele, tudo o que não tiver nossa atenção não será nosso vizinho.
Outro erro que se comete com bastante frequência é não querer um vizinho e, justamente por isso, tornar o elemento vizinho. Isto acontece porque a pessoa quando não quer algo se aproxima tentando afastar. É como alguém que não quer pensar nas palavras duras do pai e tenta esquecer, tentar esquecer destas palavras faz delas vizinhas, pois se dedica a elas como negação. O mesmo pode acontecer com uma pessoa que se quer evitar, querer evitar a  pessoa faz com que se pense nela, onde ela poderia estar, o que ela pensa, o que fazer se encontrar a pessoa. Todos os comportamentos são intencionalidade que tornam a pessoa um vizinhos.
Quanto aos vizinhos, outra questão a se considerar é se o vizinho é ou não adequado à pessoa. Somente uma pesquisa bem feita na historicidade da pessoa indica quais são os vizinhos que historicamente fazem bem ou mal à pessoa. Além de serem bons ou maus à estrutura de pensamento, o filósofo fará ainda outras considerações como o efeito que cada vizinho tem, como motivação, retração, expansão, enfim, como cada elemento interfere na estrutura quando se torna vizinho. Algo que pode acontecer, apenas para elencar mais uma das tantas possibilidades, é que alguns elementos, para se tornarem vizinhos, precisam de outros. Pode ser assim considerado quando um homem precisa de um filho para ter como seu vizinho momentos de lazer.
Dos tantos patamares possíveis, considerados a partir dos elementos de nossa época, consideraremos apenas três. Um patamar mais baixo que o de nossa época, o nosso patamar e um patamar superior de acordo com o critério de vizinhança.
Pessoas em patamares mais baixos tem em suas vizinhanças elementos com os quais a relação é pesada, sofrida, difícil. Para estes a relação se dá por propriedade. Há, portanto, uma relação na qual o elemento pertence ao sujeito, como uma bicicleta, um carro, uma casa. O elemento está e vizinho por pertença, como um pai que tem o filho como uma propriedade sua, que deve fazer o que ele entende que seja melhor. Vizinhos assim usualmente tornam a vida muito mecânica, pela necessidade de gestão de todos os vizinhos que estão em relação com a estrutura do sujeito.
Pessoas em patamares comuns de nossa época, setembro de 2015, tem como vizinhos elementos que estão acima e abaixo deste patamar. Desta forma, é possível ter contato com vizinhos muito elevados como anjo, mas também é possível ter contatos com níveis muito mais baixos, a violência. Os vizinhos neste patamar são normalmente tidos como posse, ou seja, como elementos que me dizem respeito pela posição que a pessoa ocupa em relação ao objeto. Assim como o pai que possui o filho e entende que quando ele sai de casa para se casar perde a posse, outorgando à esposa a posse do filho. Diferente da propriedade, a posse você pode ter ou não, já a propriedade é intrínseca ao sujeito. Como a liquidez é uma das propriedades da água, para alguns pais, os filhos são sua propriedade, não podendo ser separados de si.
Pessoas de patamares mais elevados tem como vizinhos elementos com os quais as relações se dão por afinidade. Para estes os objetos sobre os quais direcionam sua intencionalidade são tidos como elementos com os quais fazem par, ou seja, entendem que caracteres afins fazem com que esteja próximos. Seria o caso do pai que está em relação com o filho conversando sobre a escola, sobre os jogos de futebol, que são elementos de afinidade. No entanto, o pai percebe que aos poucos o filho se distancia e conversa mais com seus amigos, com sua namorada e entende que este é o caminho do filho. Percebe que, pela falta de afinidades, aos poucos o filho se afastou e que em certo momento ele pode voltar a se aproximar pelo surgimento de outros elementos que os tornem afins.

Lembro que este escrito é apenas um resumo, pode-se dizer que a estruturação didática de uma série de conteúdos aprendidos ao longo dos anos em aulas e cursos com o professor Lúcio Packter, a quem atribuo a autoria do que acima organizei.

Rosemiro A. Sefstrom

Colaboradores participam de capacitação sobre Administração de Conflitos

Colaboradores participam de capacitação sobre Administração de Conflitos
Encontro ocorreu nesta terça-feira (Foto: Mayra Lima)Mais imagens
Discutir sobre a Administração de Conflitos e de Tempo, Relação Interpessoal e Inteligência Emocional. Esse é o objetivo da capacitação destinada aos colaboradores da Unesc, desenvolvida pelo DDH (Departamento de Desenvolvimento Humano). O segundo encontro ocorreu nesta terça-feira (8/9), ministrado pelo filósofo Rosemiro Sefstrom.

Nesta tarde, os participantes discutiram sobre a Administração De Conflitos. “É necessário distinguir pessoas de processos. Quando o foco for a melhoria do entendimento pessoal, o progresso do processo também ocorre”, ressaltou Sefstrom.
Fonte: Setor de Comunicação Integrada
08 de setembro de 2015 às 18:54créditos (http://www.unesc.net/portal/blog/ver/213/31591)
Pelo segundo ano consecutivo a Tiscoski Distribuidora é premiada pela ABRH-SC pelas suas práticas. A premiação é resultado da Parceria formada pela Tiscoski Distribuidora e Instituto Sul Catarinense de Filosofia Clínica. Agradeço à organização por abrir o espaço e investir na Filosofia como ferramenta organizacional. Parabéns pela atitude e, agora, Parabéns pelo resultado. Rosemiro A Sesfrom



Itajaí, 01 de outubro de 2015.
Prezado (as) Sr. (as): Rosemiro Aparecido Sefstrom e Aloysio Tiscoski
Bom Dia,

Vimos por meio desta, agradecer sua participação no Prêmio Ser Humano – SC 2015, na categoria Gestão de Pessoas com o trabalho: Filosofia Clínica - Uma organização no divã.

O Prêmio é uma realização da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH – SC, e tem como objetivo reconhecer o profissional e a organização que em seu escopo de atividade tenham realizado contribuições relevantes para a evolução da prática de Gestão de Pessoas, visando promover o desenvolvimento humano e das organizações.

É importante destacar que para que os trabalhos fossem classificados e premiados deveriam atingir percentual igual ou superior a 85% na média geral dos critérios de avaliação. Observe seu resultado conforme quadro abaixo. É possível observar que VOCÊ ATINGIU o percentual que garante a classificação e premiação. Parabéns.

O processo de consolidação das avaliações realizadas pelo Comitê Avaliador foi acompanhado pela empresa de Auditoria ADVISER - Auditores e Consultores. 

O evento de premiação acontecerá no dia 19 de novembro, horário 20h00minh, local Clube 29 de Junho na cidade de Tubarão/SC. Sua presença é fundamental no dia do evento de premiação. Posteriormente será encaminhado seu convite de participação pela secretaria ABRH-SC.

Salientamos que a Assessoria de Impressa por meio do Diário Catarinense (DC) pretendem realizar contato para fins de divulgação do seu trabalho.

Um abraço.Atenciosamente,
Assinatura Luzia (1)

Luzia Fröhlich
 
 - Presidente ABRH-SC   

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

AUTOGENIA (Resumo)

Definições
Tópico 30 - Autogenia
O termo faz alusão ao Tópico 30 da EP como ao submodo 27. Como Estrutura de Pensamento, informa como a pessoa está estruturada, como os tópicos estão inter-relacionados; vê se há choques, se um tópico reforça ou anula outro. Segundo Packter, Autogenia “é o que dará ao clínico, em interseção, a oportunidade de entender o relacionamento funcional do que ocorre à EP da pessoa”. A EP é constituída de dados sensoriais, abstratos, espirituais, etc. Os exames de Autogenia nos mostrarão como isso ocorre. (NUNES; PEDROSA, 2000, p. 19).
No Tópico 27, foi vista a análise de estrutura, o entendimento daquele tópico revela a Estrutura de Pensamento como conjunto dos tópicos, literalmente, enquanto estrutura. Agora, na Autogenia, já não há mais a preocupação quanto aos tópicos em relação à EP e à estrutura considerada como formação, mas em relação ao funcionamento da mesma. Quando o filósofo se ocupa da Autogenia, ele estudará os tópicos sob o aspecto da relação e verá os choques, o que reforça e o que enfraquece a estrutura enquanto funcionamento. Para deixar o mais claro possível, Packter diz que Autogenia “(como tópico da EP) é a denominação da configuração, da associação, da inter-relação que os tópicos da EP têm entre eles mesmos”.
A partir dessas relações é que o filósofo poderá determinar a melhor ação a ser tomada enquanto percebe na estrutura as portas de acesso dos conteúdos da pessoa. Esses cuidados são tomados para não associar conteúdos de tópicos diferentes e conflitantes em um mesmo submodo. Também como maneira de evitar entrar em certas questões que alteram o funcionamento da EP e inviabilizam a clínica, como entrar em questões com demandas muito fortes, falar de assuntos que a pessoa desmerece e tudo o mais que os estudos em clínica puderem revelar.
Os autores que fundamentam esse tópico são: Cantor; Kant; Russell

Submodo 27- Autogenia
Como submodo, objetiva organizar os submodos para modificar a organização tópica. “É a organização orientada da EP, feita pelo filósofo clínico, via interseção, para que dê à pessoa um rumo mais recomendável” (Caderno de Submodos). (PEDROSA, 2000, p. 19).
Enquanto tópico, a Autogenia mostra como está organizada a EP da pessoa, quais as relações tópicas e em que isso implica na vida da pessoa. Quando se trabalha Autogenia enquanto submodo, é possível ver como se pode elevar o nível de funcionamento, ou seja, fazer com que a pessoa tome um rumo em direção às coisas que tornam sua EP producente. A diferença entre uma EP em baixo nível de funcionamento e uma elevada é de grande simplicidade, quanto mais baixo o nível de funcionamento de uma EP, mais mecânicas as coisas se tornam. Uma Estrutura de Pensamento com um nível de funcionamento elevado se torna mais leve, etérea, de maneira que os problemas se tornam cada vez mais solúveis e menos trabalhosos. Quando nossa EP pega um caminho, tanto para cima quanto para baixo, a tendência é que siga o movimento inercial. Para que isso não aconteça, o filósofo, a partir da historicidade da pessoa, abre janelas para cima e, a partir de uma primeira, muitas outras se abrirão. Como a pessoa que vem ao terapeuta em um nível de funcionamento muito baixo, preocupado em pagar contas, lavar o carro, ir pagar as contas, cortar a grama, tudo isso é cansativo, incomoda. O clínico percebe que, para abrir janelas para cima, é preciso agendar coisas que tenham a ver com passeios, viagens, caminhadas. A partir de então, a pessoa continua resolvendo tudo o que resolvia antes, mas parece que algumas coisas se resolvem sozinhas, ela estranhamente começa a ter o que se chama de sorte.
Temos de lembrar a pertinência disso na vida da pessoa, não é porque aparentemente é bom ter a Autogenia elevada que será feito isso. Pense numa pessoa que está em final de conclusão de curso, tem muitos trabalhos a fazer, pesquisas. Algumas pessoas, quando tem a Autogenia elevada, tiram os pés do chão e acabam esquecendo a materialidade. Por isso, quando necessário e somente quando bem estudado, é possível fazer esse movimento.

Tipos de Autogenia:

Horizontal
A autogenia horizontal é assim chamada pelo movimento que a Estrutura de Pensamento faz dentro de um mesmo patamar. Este tipo de movimento provoca alterações na estrutura, mas não capazes de fazê-la mudar de nível, são movimentos que mudam apenas os conteúdos com os quais a EP entra em contato dentro de um mesmo nível.

Vertical
Vertical é o tipo de movimento que acontece quando pela organização da EP há uma elevação autogênica. Este movimento tanto pode ser de ascendência quanto de descendência, em outras palavras, a organização pode tanto levar a pessoa para cima quanto para baixo. Esta movimentação acontece quando um tópico tem força de tração autogênica. Assim, quando a EP é ordenada e vive a partir dos pressupostos do tópico determinante pode haver movimentação vertical da estrutura com um todo. Diferente do movimento horizontal, este tipo de movimento coloca a EP em contato com conceitos de outras naturezas. Por isso é recomendado um movimento lento e estruturado para que a ascensão autogênica possa ser segura e sustentável.

Transversal
Nas autogenias transversais a modificação de padrão autogênico acontece pelo contato com “coisas” que estão fora dos nossos padrões existenciais. O contato com estas coisas que se aproximam de nós ou nós nos aproximamos delas é feito geralmente de maneira muito equívoca. Essas equivocidades acontecem pela falta de linguagem que possa fazer o transito de conteúdos dialógicos de um ser para o outro. No entanto, nos, pela nossa origem acabamos por humanizar as “coisas” com as quais entramos em contato, até mesmo como uma forma de explicar ou entender. A forma como se dá o contato com outras coisas na autogenia transversal já não entra mais na qualificação de sustentação e vizinhança, ainda mais diferente segue a questão de que este contato pode fugir aos caracteres dos exames das categorias.

Modificações de padrão autogênico
Para modificar um padrão autogênico é necessário primeiro se fazer algumas questões:
- Se eu mudar de padrão estou disposto a deixar algumas coisas para trás? A resposta desta pergunta é necessária, pois nem tudo ou todos que convivem com a pessoa neste patamar a acompanharão no próximo. O problema é, que em alguns casos, o filho, a esposa, amigos, não vão conseguir acompanhar.
- Essa modificação de padrão é sustentável? Ou seja, será que a EP tem estrutura para se manter no padrão para o qual está se deslocando? Pode ser que aquela EP tenha conteúdos e possibilidades de depuração apenas para modificações horizontais, que já seriam uma grande coisa.
- Mudar de padrão autogênico fará bem a pessoa? Nem todas as pessoas precisam de modificações de padrão vertical, algumas nem mesmo de modificações horizontais. Para algumas pessoas o problema em nada tem a ver com modificações autogênicas, seus problemas são pontuais.
Existem outras questões que podem ser feitas na caminhada antes de promover qualquer movimento na EP do partilhante, mas estas constituem as mais importantes.
Uma vez que estão respondidas as questões o terapeuta parte do tópico com força de tração autogênica e inicia a potencialização deste tópico de modo a promover o movimento. Em alguns casos será necessário primeiro ensinar e somente depois potencializar (depurar) o tópico ou conjunto de tópicos para alcançar o resultado. A partir do momento que começa a acontecer a elevação do padrão o partilhante começa a entrar em contato com uma nova “vizinhança”, a elevação vai se efetivar na medida que essa “vizinhança” se tornar familiar. Nos primeiros tempos é provável que a “vizinhança” anterior faça força tracionando a EP para baixo, caso a familiaridade com o novo padrão não seja forte o suficiente pode acontecer haver regresso ao patamar anterior. Mas, na medida que a pessoa ganhar familiaridade, logo estará estabelecida e segura no novo patamar.
A “vizinhança” é um vice-conceito utilizado para apontar que há uma depuração estrutural onde a EP entra em contato com novos conteúdos. Por isso as duas recomendações iniciais, pois esse contato pressupões deixar alguns conteúdos anteriores de lado e também o tempo para criar intimidade. A fluência com estes novos conteúdos é que vai ou não garantir a permanência da pessoa no novo patamar. Sendo assim, por vizinho, pode se entender outras emoções, conhecimentos, pessoas, experiências, enfim, conteúdos do novo padrão.
As modificações de padrões autogênicos provocam profundas mudanças na pessoa como um todo visto que toda a EP acaba por sofrer depurações. Em patamares mais altos conceitos mecânicos deixam de fazer sentido, sua existência é apenas referência a algo que não lhes diz mais respeito. Aproximações e relacionamentos se dão por afinidade, o mesmo acontece com os direcionamentos existenciais, não existe mais uma preocupação intensa e vigiada sobre o caminho que será trilhado. Em níveis pouco acima dos que se vive de maneira geral as alterações já são consideráveis nos modos de vida que se tem. Pode acontecer de algumas pessoas utilizarem palavras que as aproximam de patamares autogênicos mais elevados, no entanto não existe elevação, mas aproximação lingüística.
Achar que existem grandes alterações de padrões autogênicos é um sonho, apenas em alguns raros casos isso é verificável. Na maior parte dos casos existe um pequeno movimento, mas que quando bem feito provoca profundas alterações na vida da pessoa. Há ainda o problema das pseudo modificações, provocadas algumas vezes por produtos químicos, medicamentos, eventos espirituais, enfim, movimentos de alteração episódica. Estes movimentos são comuns a algumas pessoas, a outras causam transtornos, pois o movimento não é previsto e nem aceitável em sua EP.
Outra maneira de provocas ascensão autogênica é ensinar a pessoa a soltar-se a sua EP. Esse modo é um tanto mais complexo visto que os caminhos não são previstos em sua maior parte, diferente do caminho convencional. Pela falta de previsibilidade, também chamada controle, boa parte das pessoa prefere fazer o contrário, amarrar sua EP ao modo como elas acham que deve funcionar. Mas, ao soltar-se à sua EP é provável que a própria estrutura mostre qual é o caminho adequado de elevação.

Representação Gráfica


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Debate Entre Michel Foucault & Noam Chomsky — sobre a natureza humana (Completo)


quinta-feira, 9 de julho de 2015


(CHOMSKY) AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MiDIÁTICA


Manipulacao.2
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Noam Chomsky
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1. A estratégia da distracção. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, presa a temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
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2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceites. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem pede leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.
3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições sócio-económicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia do diferimento. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregue imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão de factores de sugestão, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.
6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…
7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeia entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.
9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e se culpabiliza, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de agir. E sem acção, não há revolução!
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.
VIA: Adital (com alterações)
Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/07/03/chomsky-as-10-estrategias-de-manipulacao-mediatica/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ex-amantes ficam em silêncio quando se encontram novamente depois de 30 anos!

Amor é uma das coisas mais complicadas da vida. Artistas são das pessoas mais egocêntricas. Por isso quando os artistas se apaixonam, a paixão só pode ser muito especial, linda e por vezes melodramática. Com sentimentos tão fortes, só podemos esperar que as suas histórias de amor sejam as melhores.
Conheçam a artista Marina Abramovic. Na época de 1970, Marina e o seu namorado na altura, Ulay, acabaram. Mas mesmo no final do seu relacionamento, eles decidiram fazê-lo de uma forma muito interessante, tal como verdadeiros artistas. Eles foram para lados opostos da Grande Muralha da China e andaram ao encontro um do outro. Quando se encontraram no meio da muralha, deram um último abraço e partiram. Nunca mais se viram depois disso.
Mais de 30 anos depois, Marina fez uma performance ao vivo. Ela passou um minuto em silêncio com estranhos. Eles ficavam a olhar um para o outro, talvez a ganharem alguma espécie de inspiração ou energia. Mas um homem em particular parece conseguir captar a atenção de Marina. Esse homem aos 1:30m era o Ulay. Foi a primeira vez que se viram depois de mais de 30 anos, e o momento foi tão emocional e maravilhoso como seria de esperar.


Amor é o maior surpresa do mundo e mesmo que alguns relacionamentos não durem e os sentimentos desapareçam, as memórias ficam para sempre. Nós temos que as manter nos nossos corações e mentes para sempre. Embora a Marina e o Ulay tenham apenas ficado ali sem dizerem uma só palavra, podemos ter a certeza que eles falaram um com o outro através dos seus corações. Esta é, sem dúvida, uma história fantástica!
Fonte: http://www.coffeebreak.pt/ex-amantes-ficam-em-silencio-quando-se-encontram-novamente-depois-de-30-anos-video/ (02.07.2015)